A
Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio)
formaliza, nesta terça-feira (27), por meio de ofício, o
repúdio da entidade - que representa o setor de comércio
e serviços paulista - às articulações do poder público voltadas
à recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira). O documento será entregue às lideranças da
Câmara dos Deputados e do Senado.
No ofício, a Fecomercio reitera que qualquer tentativa de
ressuscitar o imposto produziria efeitos negativos para
a sociedade brasileira que já arca com uma pesada e injusta
carga tributária e faz um apelo para que os parlamentares
mantenham-se contrários ao retorno da CPMF ou de seus eventuais
'clones'.
Segundo a entidade, todas as críticas feitas anteriormente
ao imposto devido à sua natureza cumulativa e regressiva
e por incidir sobre operações que não podem ser consideradas
fatos geradores cabem a propostas com este mesmo perfil,
independentemente de formato ou nome.
A Fecomercio relembra que a CPMF representava dupla tributação,
ou seja, o recolhimento de qualquer outro tributo embutia
a sua cobrança ao movimentar recursos para tal. Não bastasse
todos esses argumentos, esse tributo restritivo contribuiu
para a fixação de um piso para a taxa de juros, fator tão
importante para o crescimento da economia brasileira.
Além disso, ao contrário do que se anunciava com o fim da
CPMF no ano passado - de que haveria um rombo nas contas
públicas sem os R$ 40 bilhões previstos com a cobrança do
imposto - o que se verificou foi o aumento recorde de receita.
Dados divulgados recentemente pela Receita Federal mostram
que a arrecadação bateu novo recorde no mês de abril, quando
atingiu R$ 59,75 bilhões. O número é 11,44% superior ao
apurado em abril de 2007, quando foram arrecadados R$ 53,62
bilhões. Os primeiros quatro meses do ano também registraram
recorde e totalizaram R$ 223,2 bilhões, alta de 12,56% em
relação ao mesmo intervalo do ano passado. Trata-se do maior
valor já registrado no período.
O argumento também perde consistência diante do aumento
nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
e sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL),
o que deverá resultar em um acréscimo na arrecadação em
R$ 10 bilhões. A sociedade fez a sua lição de casa, mas
não há visibilidade sobre o sacrifício proposto pelo governo
visto que a promessa era de que o corte nos gastos públicos
seria o dobro, ou seja, cerca de R$ 20 bilhões. Paralelamente
a estes fatores, somente com o crescimento da economia,
é possível estimar uma arrecadação adicional na ordem de
R$ 40 bilhões, considerando o atual percentual da carga
tributária.
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